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terça-feira, 7 de junho de 2011

O perigo vem do banco

Quem é mais perigoso, um técnico que coleciona maus resultados ou um cartola que coleciona denúncias de negócios no mínimo nebulosos?
Claro que é o técnico! Esse sujeito tem mais é que ser xingado de burro, levar vaias e ouvir insultos de torcedores que não enxergam um só lance do jogo e ficam atrás do banco de reservas só pra atazanar a vida do idiota.
Técnico tem que ser ridicularizado, perseguido. Merece que descubram o telefone da casa dele e que liguem para assustar a mulher e os filhos com ameaças.
Bem feito também se não puder ter vida social, ir ao cinema, circular pelo shopping. E que se cuide para não ter o ônibus da delegação apedrejado a caminho do estádio. Se for atingido, problema dele!
Nome de técnico perdedor não vale nada e precisa aparecer em letras garrafais em pichações com palavrões nos muros do clube e do centro de treinamento. Fora! Fora, fora do banco já!
É bem provável que, dependendo dos resultados, o “clamor da torcida” já derrube algum técnico do Campeonato Brasileiro neste fim de semana ou no próximo.
E o dirigente envolvido em negociatas, o que merece do torcedor “profissional”? Nada, nenhuma manifestação de repúdio. Precisa continuar do jeito que está, intacto, sem ser incomodado. Esse está tranqüilo no banco de reservas financeiras, administrando os fundos, enquanto o técnico está com os fundilhos à mostra. Tem torcedor protestando em abundância errada!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Uma dúvida, com certeza

Na quarta-feira, haverá uma espécie de tira-teima entre pragmáticos e supersticiosos do futebol. A “prova” será tirada no terceiro confronto em oito dias entre Coritiba e Vasco.
No dia 1º de junho, na primeira partida das finais da Copa do Brasil, 1 a 0 para o Vasco, em casa. Ontem, numa coincidência dos deuses da tabela do Brasileirão, 5 a 1 para o Coritiba, em casa também, com reservas dos dois lados.
E quarta agora os dois voltam a se encontrar em Curitiba para definir quem será o campeão da Copa do Brasil, garantindo vaga para a Libertadores do ano que vem.
O pragmatismo faz supor que cada jogo é um jogo e que os 5 a 1 de ontem nada têm a ver com a decisão em que o Vasco poderá jogar por um empate para conquistar o título. O Coritiba precisa vencer por dois gols de diferença, ou seja, “apenas” a metade do saldo de domingo.
Para os mais cismados, que escarafuncham razões que a razão desconhece, aparecerá a lembrança do que aconteceu com o Coxa depois dos 6 a 0 sobre o Palmeiras, também pela Copa do Brasil. Foram dois jogos em jejum, sem nenhum gol.
O bom dessa “séria discussão” é que ela vai terminar na quarta, perto da meia-noite, quando um dos dois vai virar abóbora. Mas o melhor de tudo é que o futebol, sem essas abobrinhas, perde a graça. Vale tudo para explicar o inexplicável.

domingo, 5 de junho de 2011

Goleadas sem gols

Bastidores existem em qualquer profissão, em algumas com mais glamour e maior curiosidade do público. Tenho acompanhado os da construção de um prédio, ao lado do meu.
Na segunda e na quinta, ouço logo cedo as gozações entre os operários por causa dos jogos da véspera. Na manhã seguinte de Coritiba 6 x 0 Palmeiras, cheguei “vacinado” ao trabalho. Aquilo já não era mais novidade.
Bastidores são rentáveis. Tem gente que vive disso, até legitimamente. Artistas, jogadores de futebol e celebridades permanentes e passageiras são fornecedores da indústria que alimenta a necessidade humana básica de saber o que acontece com os outros.
E há casos em que “aquilo que ninguém vê” atrai tanto destaque que se torna mais importante do que o próprio “negócio”. Para ficar em apenas um exemplo, tem sido assim ultimamente no Palmeiras. Mais do que os resultados dos jogos, aparecem declarações polêmicas, dirigentes falando bobagens, dirigentes explicando o que quiseram dizer com as bobagens, negócios suspeitos, técnico bravo com e sem razão, briguinhas internas... Isso sem contar o que realmente fica na sombra e não vaza.
Os bastidores também ganham força no Corinthians, no São Paulo e mesmo no fantástico Santos, que passou por um burburinho na fase em que estava em baixa no Paulistão. Mas no quesito bastidores, o Palmeiras ainda parece estar ganhando de goleada. Em campo, vitórias magras como o 1 a 0 de ontem sobre o Atlético Paranaense. Tudo bem, vitória magra também vale três pontos. Mas goleadas de más notícias nos bastidores abrem feridas que precisam de muitos pontos para cicatrizar, por mais que pequenos sucessos enganem o paciente.

sábado, 4 de junho de 2011

Protagonistas em falta

A recepção à Seleção Brasileira em Goiânia foi digna de um time de estrelas. A despedida com o jogo quase terminando foi do tamanho de um buracaaaaço na imensidão do universo que separou o meio-campo do ataque. Os gritos de “timinho” podem não ter contagiado toda a torcida, mas ecoaram pelo Serra Dourada.
No discurso positivo ao chegar à Seleção, Mano Menezes disse que o Brasil precisa voltar a ser “protagonista”. Ele está certo, mas falta transformar a intenção das palavras em atitude prática.
O “planeta bola” pede um time com três atacantes. E lá estavam eles. Mas sem algum protagonista de qualidade pra armar as jogadas os asteróides da frente ficam perdidos. Neymar ainda foi rápido como um meteoro, mas foi só.
O Brasil foi protagonista nas faltas. Fez mais do que os adversários holandeses. Foi também protagonista na simulação de faltas sofridas pra enganar o árbitro, com nossos artistas fazendo caras e bocas de muita dor. Foi protagonista no nervosismo dos cartões e chegou ao estrelato ao ter o habilidoso, mas descontrolado Ramires expulso de campo.
Para terça-feira, já temos pelo menos um alento. Teremos Ronaldo Fenômeno como protagonista em sua despedida de uma carreira vitoriosa na Seleção.
Mas o sábado ainda não está totalmente perdido. Vamos ver Palmeiras x Atlético Paranaense e esperar por Marcos Assunção e Paulo Baier, dois protagonistas da bola parada.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Brazilian Team? Squadra Brasiliana? Selección Brasileña?

As cenas de fãs histéricas, longas filas em busca de ingressos e agitação da torcida com a presença da Seleção Brasileira em Goiânia parecem estranhas nos dias de hoje.
Viajei no pensamento para 1974, tempo difícil na política nacional. Entre os garotos da minha classe, todos com dez anos, havia uma disputa a cada convocação. Queríamos saber quantos eram do Palmeiras, do Corinthians, do São Paulo e do Santos para ver quem estava em vantagem para poder gozar os demais.
Nossos craques jogavam e desfilavam por aqui mesmo e pareciam estar mais próximos da realidade do país. Hoje estão distantes e voltam como “turistas” ou quando a carreira lá fora desanda. Ou então adiam a saída por causa da Copa na terrinha.
Não vou entrar numa discussão social, econômica e até da politicagem do futebol globalizado. Com boas propostas do exterior, o negócio é ir embora mesmo.
A quase ausência do time amarelo aqui desperta reações como as de Goiânia. O torcedor está acostumado a ver o Brazilian Team, a Squadra Brasiliana ou a Selección Brasileña, mas a Seleção Brasileira é praticamente uma novidade.
Tem gente que diz que a CBF tem “um braço” que opera como uma espécie de “agência de turismo”. Então, será que não daria pra arrumar umas viagens pra cá com mais frequência?
Tive mais uma prova desse distanciamento ao ver o espanto do meu filho, de oito anos, ao acompanhar uma reportagem em que o time pátrio foi chamado por um estranho apelido. “Pai, o que é Seleção Canarinho?”. É aquela, do Brazil!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O dono da bola

A quarta-feira foi marcada por mais um show de um craque da bola. Ele esbanjou categoria e mostrou que está muito acima dos outros, pobres mortais.
Nosso herói é ousado, atrevido, não tem medo de cara feia e marcação cerrada. Vai pra cima com tudo, dribla, avança, inferniza os adversários.
É um sujeito endiabrado e ao mesmo tempo iluminado, com um destino marcado para ter grandes conquistas. Nada o assusta e ele não desiste nunca.
Fazem de tudo para derrubá-lo e ele segue imponente. Às vezes cai, mas logo se levanta para aprontar mais uma travessura.
Ele é perseguido, caçado, insultado, mas não se abala e logo responde com mais uma jogada desconcertante. E outra, e mais outra, e outra ainda... Parece interminável e inatingível.
É irreverente, irônico, sarcástico, até gozador. É praticamente impossível detê-lo. Muitos tentaram e ficaram com o bumbum no chão. Outros foram punidos e tiveram que ir mais cedo para o chuveiro.
Ninguém pode com esse cara. Falam mal, vasculham a vida pessoal dele e nada acontece. Joga como gente grande e aplica uma goleada atrás da outra.
Ontem foi mais uma de muitas. Perto dos dribles mirabolantes dele Neymar é um bebê de chupeta e Messi é um niño com pirulito na boca. Ninguém pode com esse Joseph Blatter. Que cracaço... Esse aí nunca se encafifa com nada!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Teu passado te absolve

O Corinthians é “de tradições e glórias mil” e o “passado é uma bandeira”.
No São Paulo, “as tuas glórias vêm do passado”. O Botafogo é “campeão desde 1910”. O Fluminense é “retumbante de glórias e vitórias mil”.
O hino do Grêmio canta “os feitos da tua história”. No rival Internacional, o passado é “motivo de festas em nossos corações”. No do Cruzeiro, aparecem “páginas heróicas e imortais”.
Sem ficar em cima do muro, todos os hinos são bonitos e devem mesmo valorizar o passado. Alguns fazem isso implicitamente, sem referências diretas na letra.
Mas agora, com um presente cambaleante, muitos clubes estão enxergando no passado uma esperança para o futuro. E, mais do que isso, a chance de bons negócios.
Estão aí as novas camisas, que precisam vir com bula para disfarçar os efeitos colaterais de hoje e explicar a eficácia do passado às novas gerações, que às vezes pensam que o mundo não existia antes delas. O grená do Corinthians é uma homenagem ao fantástico Torino, que perdeu o time num acidente aéreo em 1949.
O “novo” P do Palmeiras reverencia os “heróis de 1951”, que o clube considera como o primeiro título mundial da história.
O passado tem que ser evocado mesmo, mas não precisava ser apenas uma estratégia de marketing contra o “teu presente te condena”.